Contou depois ao Gonçalves a conversa com o Director.
Ele não se admirou. Pelo contrário:
– “Eu também fui lá chamado e ele veio-me com a
mesma treta. Mas eu não lhe dei conversa e disse-lhe de caras
que me queria ir embora. Já não tolero isto. Devias fazer o
mesmo, é a única solução.”
– “Para ti, que tens lá fora família que te pode ajudar. Eu
estou aqui porque os meus pais sabem que não me podem
dar um futuro capaz.”
– “Mas há vida lá fora, hás-de desenrascar-te.”
– “Talvez. Mas não vejo perspectivas nenhumas agora.
Não é fácil para mim tomar essa decisão neste momento.”
E, no mês de Fevereiro daquele ano, o Gonçalves foi-
-se mesmo embora. Não pendurou a batina na figueira, saiu
pura e simplesmente, foi à procura de outra vida.
No fim desse mesmo mês, o Director chamou-o novamente
e disse que o ia mandar para dar aulas num colégio de
miúdos pobres e abandonados.
– “É para pensares”, disse-lhe.
– “Já estou farto de pensar. Mas está bem, vou continuar
a pensar.”
Nem o segundo ano da Filosofia o deixavam acabar.
Teve pena, mas até era bom mudar daquilo tudo, deixar
aquela gente que detestava na sua maioria.
http://seminarioeguerracolonial.blogspot.com/
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